Manuel Faustino dos Santos Lira nasceu em Salvador, filho de uma escrava
liberta. Em meados da década de 1790, com apenas 18 anos de idade, passou a
frequentar reuniões secretas nas quais se discutiam os ideais da Revolução
Francesa e sua possível aplicação na sociedade.
Assim surge a Revolta dos
Búzios ou Conjuração Baiana, em 1798, movimento que teve fundamental
participação de escravos e seus descendentes, discutindo os caminhos para o
Brasil livre da tutela portuguesa, visando uma república na qual a cor da pele
não fosse razão para discriminação.
Estes heróis, que plantaram a semente da independência da Bahia 30 anos
depois, colocavam nos muros da cidade papéis manuscritos chamando a população à
luta: “está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que
seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais”... “Homens o tempo é chegado
para vossa ressurreição, sim para que ressuscitareis do abismo da escravidão,
para que levantareis a sagrada Bandeira da Liberdade”.
Temendo uma revolta do povo, governava a Bahia nessa época D. Fernando
José de Portugal e Castro, que encarregou o coronel Alexandre Teotônio de Souza
de surpreender os revoltosos. Manuel Faustino dos Santos Lira foi um dos quatro
condenados à morte por enforcamento, sendo executados na Praça da Piedade.
Próxima da Rua Manuel Faustino temos a Rua Maria Felipa. Outra heroína negra, natural de Itaparica,
ela se ofereceu como voluntária para espionar as tropas portuguesas em 1822.
Maria Felipa foi uma liderança destacada na luta contra o domínio português,
quando comandou dezenas de homens e mulheres, negros e índios, na queima de 42
embarcações de guerra que estavam aportadas na Praia do Convento, prontas para
atacar Salvador.
Esta ação foi vital para a Independência da Bahia, hoje comemorada no dia 02 de Julho. Em sua biografia destaca-se também a lendária história de quando Maria Felipa usou galhos de cansanção para dar uma surra nos vigias portugueses Araújo Mendes e Guimarães das Uvas.
O atestado de óbito de Maria Felipa, datado de 04 de janeiro de 1873, dá uma dimensão de que após a luta da Independência, ela continuou tocando sua vida de marisqueira na ilha, até morrer.
Mestre Bimba (1900-1974)
Nascido em 23 de novembro de 1900, na então freguesia de Brotas, no
atual Engenho Velho de Brotas, Manoel dos Reis Machado, filho de Luís Cândido
Machado e de Dona Maria Martinha do Bomfim, Mestre Bimba, como veio a ser
conhecido, foi o criador da Capoeira Regional.
Fundindo estilos, aproveitando
golpes do “batuque”, do qual seu pai era praticante e campeão, e outras artes
marciais, mudando movimentos e ritmo, mexendo na malícia e postura do
capoeirista, e criando um código de ética rigoroso, fundou este novo estilo.
Mais que uma luta, Bimba queria recuperar o valor da capoeira como arte
marcial, principalmente como estilo de vida. Daí, o rigor e sistemático
acompanhamento pedagógico aos seus alunos-praticantes.
É sempre bom conhecer nossa cidade. Interessante saber que esses ícones da cultura negra como Manuel Faustino, Maria Felipe e Mestre Bimba que tanto contribuíram com a nossa baianidade estão homenageados neste bairro. Parabéns!
ResponderExcluirÉ sempre bom conhecer nossa cidade. Interessante saber que esses ícones da cultura negra como Manuel Faustino, Maria Felipe e Mestre Bimba que tanto contribuíram com a nossa baianidade estão homenageados neste bairro. Parabéns!
ResponderExcluirObrigada Emanoel!
ExcluirO mais importante é o reconhecimento pelos feitos realizados por essas pessoas, e que marcaram a história do Bairro.
ResponderExcluirCom certeza Josy! Obrigada!
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